sexta-feira, 2 de setembro de 2011
Separados da Cria.
Não sois iguais aos outros. Sois único com a particularidade de serdes magnânimo.
Tal imagem nunca se revelou perante a minha graciosa mente.
Esperava, pela mão do destino, que algo se mostrasse com defeito de início. Mas não.
Os deuses não foram desgraçados. Não foi um nascimento funeste para esta criança.
No meio da atrocidade, de pragas e pestes, servistes bem os teus ascendentes.
Teria que ser vós, filho da Casa Real de Lagutropeduos. Descendente dos Condes da Casa de Pinhel, nasceste para reinar na condição de serdes a esperança no dia mais negro.
Certamente, virá a minha hora, mas antes terei que contar o que me disseste.
Não há melhor história para contar que esta.
Relatar a tua queda...
Não viverei para sempre, e nos tempos que correm, tudo se aflige por nada, e tudo me aflige por ser tudo o que é. Não vivi para estar nesta época, e vós sabeis bem que estas palavras que saem da minha boca, são a mais pura da verdade.
Nascestes no berço real. Destes fama à tua imponente família. Deste alegria ao teu povo.
Crescestes sempre com aproveitamento em tudo. Foste o primeiro em tudo. E ainda hoje o sois...
Eras a criança que tornava tudo especial. Eras o toque de veludo no coração do povo.
A tua voz tornou-se respeitadora, e os teus desejos e comandos eram ouvidos atenciosamente.
Eras tratado como Rei, que o és. E com todas a letras deste latim modificado, Tu eras único.
Onde deixaste a carcaça que levaste?
Partiste para a tua primeira batalha e nunca mais voltaste.
Hoje, vejo-te completamente fora de controlo. Numa onda de dimensões drasticamente repulsivas.
Não consigo encontrar nada do que restou de ti, nesta nova carcaça tua.
Onde deixaste o orgulho que levaste?
Todos confiavam em ti, todos! E disso nem penses em duvidar.
O brilho nos olhos que uma criança tinha quando te via. A paz que corria nos corações dos mais velhos ao ver-te a demonstrar a nova armadura na praça.
Onde despedaçaste o coração de quem te amava?
Partiste sem dizer um adeus.
Partiste sem dizer o que sentias, e no entanto continuo a tua espera.
Achas que valia a pena seres essa criança que regozijava corações por fora, e seres o monstro que foste por dentro?
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Não tomei consciência dos actos que cometi.
Nem sei para onde me virei. Fui separado pela mão do destino dos que mais amava.
Hoje escrevo nesta folha, que não penso em mais nada, senão, o que irei fazer com esta liberdade nas minhas mãos. Irei ver o mar?
Irei cavalgar pelos vales do meu novo reino?
Sentar-me no descampado do castelo mais próximo? Existem uma panóplia de soluções para este dilema de agora.
Sinto-me bem assim. Rédeas soltas finalmente!
Não quero me perder neste banho que tomo, sem preconceito, de pura adrenalina e vontade própria.
O sangue é bombeado fortemente nas minhas veias. Eu sinto-o!
Agora, sei que nunca mais vou olhar para trás. Tenho que seguir em frente, construir o que não foi construído e dar parte da minha alma ao demorado trabalho do firmamento da minha vida.
As novas raízes que brotarão por gosto.
Alcançar o coração desta nova gente, sem ter que mostrar o meu passado.
Sei que foi bom, mas quanto mais esperavam de mim, mais me sentia preso.
Quebrei as correntes que me ligavam a tudo mais. Hoje sou homem, e não a criança que outrora louvava ao povo por ser meu. Serei o suficiente para esta nova gente? Este novo reino à primeira vista parece-me sombrio mas cauteloso. Terei que trabalhar a alma do povo e reinar como nunca antes.
Sim! Serei bom para este povo. Sempre o fui, e agora serei melhor ainda.
Mas esta ansiedade que sinto, não é a mesma adrenalina que nutria, que vinha de dentro quando nos preparava-mos para a batalha. Ou simplesmente, pegar num cavalo e correr o mais rapido possivel com ele e alcançar o fim do mundo.
Esta ansiedade mata-me! Desejo e invejo. Desejo partir pescoços, romper lagrimas da alma mais dócil.
Quebrar cervicais e revirar os femures para dois sentidos opostos.
Invejo aquilo que quero ter e não tenho forma de a conseguir!
Amo o meu novo povo, espero que ele me ame também. Serão eles quem me vão servir, para um Reino melhor!
Será o Reino que causará inveja aos deuses. Serei melhor que eles, e com a minha humildade e honestidade, venceremos cada nação; manteremos as tradições e modificaremos as suas crenças!
Serei grande em muitas terras...terei prazer em dizer que...
Eu venci o que ninguém venceu!
ahahahahahahahahaahah
Espero ver as pessoas que deixei, em breve.... aqui.... comigo.
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O 2º em Comando na batalha, corre com todas as suas forças para a sala do trono do Rei.
Armadura ensanguentada, espada rachada na sua bainha. Barba de 5 semanas por fazer, e pelo cheiro a sangue quente, teria deixado o cavalo próximo da entrada da sala do Rei.
Dirige-se ao Rei com reverência, prostrando-se no chão, e fitando o canto do azulejo mais próximo do seu joelho, afirma:
-Meu Rei! Permissão para falar..
O Rei, levantando-se da sua poltrona com ar indignado, ajusta os dedos da mão direita em sinal afirmativo ao pedido deste comandante. Disse o Rei:
-Fala, o que trazes para mim? - Falando como se tratasse de algo sem importância.
-Meu Rei... O nosso Príncipe... - Tentando recuperar o fôlego, entre lágrimas e respiração ofegante.
-Que tem o meu filho? - abrindo os olhos, regulando-os em direcção à janela mais larga da sala, situada no seu lado esquerdo- Fala!
-O nosso Príncipe, meu Rei, terá caído no vazio durante a batalha... - dizia o 2º comandante, jorrando lágrimas sem cessar.
Sem mais por dizer, o Rei mandou o 2º comandante retirar-se, dirigindo-se para câmara da sua Rainha.
O Rei anunciou à sua rainha, o que haveria acontecido.
Esta por sua vez, com toda a calma e serenidade que uma Rainha consegue ter, sem desviar os olhos do rei dos seus, lhe disse:
-Fomos separados da nossa cria.
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Tu morreste na batalha de São Corpeiro.
A tua necessidade de governar algo maior do que pudias, era imensa e incontrolável.
Disseste-me que irias me contar como seria.
Tu prometeste que me contavas como era o outro lado.
Vi que falaste palavras sem fundamento.
Já antes da batalha ansiavas por essa oportunidade.
E pelos vistos, os deuses te a concederam.
Espero que no outro lado, encontres o que sonhas por ter.
Enquanto, neste lado, Sofremos e choramos pela tua ausência.
Agora, neste quarto frio e escuro, sei que não será por falta de aviso, que terei uma noite por dormir...
No meio de tanta ovação pela serenidade que se avizinha, não cesso de olhar para uma pequena sombra que se acomoda ao cortinado estendido ao lado da minha janela.
Certifico-me que é fruto da minha imaginação, ou simplesmente, deixarei repousar o meu corpo e esperar que desapareça?
A Sombra mexeu-se! Relato isto como os fantásticos comentadores dos jogos de corrida de cavalos! Os meu poros começaram a verter suor frio e seco! Estou imóvel na minha cama, enquanto as minhas mãos agarram esta folha e escrevem com uma simples caneta de pena comprada na esquina da praça.
........Silêncio venceu.
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Um murmúrio meu voou da minha boca, orientado da janela para os ouvidos da minha amada:
-"Não é assim tão mau..."- disse com voz calma e rouca.
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Um arrepio me assombrou. Deixei de escrever.
------------------------------------------The End--------------------------------------
av7x rulzzzzzzzzzz!
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