sábado, 24 de maio de 2014

A vida num ápice

Todos nós temos pensamentos...
Dos piores aos melhores, e daqueles que todos gostam de ter no seu quotidiano para complementar os desejos do futuro.

Eu vi-me fora de mim, num êxtase imenso de ansiedade e loucura por, de repente, haver uma vida à frente.
Haver uma oportunidade única, que vou agarrar com unhas e dentes, é um ideal tão real agora.
Viver algo que nunca vivi, uma experiência inigualável que terei todo o prazer de a ter.
Serei feliz? Terei o sentimento de concretização de todos os desejos?
Adaptar-me-ei a esta situação? Será que é assim tão real, que chega a ser um sonho?

O facto engraçado é que as coisas passam à frente dos meus olhos, e vejo-me num sitio diferente feliz, concretizado, e orgulhoso.

A vida num ápice, ou em dois sacos e meio.

Por querer viver esta oportunidade única, arrumei tudo o que tenho, tudo o que sou,, tudo o que fiz, em dois sacos de plástico grandes, e um pequeno. Curioso, não é? Somos tanta coisa neste mundo, somos especiais, importantes, responsáveis, desleixados, asseados, comprometidos e solteiros, loucos, certinhos, lindos, feios, empresários, empregados, chefes, técnicos, e no entanto...

É incrivel como tudo o que somos, pode caber em dois sacos e meio.

Em rumo para aventura, em rumo para uma vida melhor, em rumo para a felicidade...



segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

O Super-Homem foi Peixes!


Proponho um pouco de luxúria, ou seja, um pouco de tempo, para invadir as vossas mentes com tais textos que não lembram a ninguém, mas que mata a curiosidade de muita gente.

Suponho que estejas a olhar para o título, e a olhar de volta para o texto para perceber o que têm em comum. Eu sei, é lógico... Até eu faria isso!
Pois bem, o estranho acontecimento de ter entitulado este texto de "O Super-Homem foi Peixes", começou depois de ter tido a noção, do que era ser um super-homem e da quantidade de coisas que se esquece ao longo do dia.
Sim! Sim! O Super-homem era perfeito, bla bla bla, tinha visão raios laser, velocidade da luz e super força. Mas nem tudo era assim tão perfeito. Então e os lanches? Então e quando estava em casa a preparar o almoço pra mulher e filhos? ou quando ele se esquecia de ir a WC? ahm? Como estaria aqueles orgãos cheios de gases e jana para deitar fora?
São coisas que ninguém se perguntou, porque nos filmes só aperece o menino bonito a voar, musculosamente artificial e caracolinho "engata-gatas".

Contudo, Loys Lane não deixou de acreditar na sua ultima coca-cola do deserto, e continuo ao seu lado.
Mas no meio de tanta perfeição, Loys Lane tinha um papel fundamental na vida de Clark.
Clark esquecia-se constantemente que o sal era essencial para uma mistura divinal no meio do cozinhado para exaltar os profundos sabores de uma boa comida de tacho. Como também o vinho tinto às refeições que a maioria das mulheres adooooora beber essa bebida dos Deuses do Olimpo, com o seu Deus perfeito de fatos de licra. Então Loys Lane, na sua maior das bondades e fés, lembrava a Clark aquilo que ele não tinha tempo para pensar, o gracioso SAL e o grande VINHO TINTO às refeições.

Com tanta perfeição, só podia vir uns quantos "se-nãos".
Mas ainda assim, Loys Lane nunca o abandonou, mesmo quando ele se esqueceu que sabia andar e voar e sentou-se na cadeira mais próxima, que por acaso era uma das cadeiras de rodas da avó materna da Loys, cuja senhora já não andava.
Clark sentou-se no seu maior refastelanço, para se refastelar, naquela cadeira tãoo confortável, e assim ficou.
Porque simplesmente esqueceu-se que era um grande Super-Homem, e que num dia futuro alguém iria precisar dele.

Vá-se lá saber o porquê!! 

Eu bem pesquisei este artigo, e cheguei a uma conclusão que seria uma descoberta astronómicamente engraçada! Pela personalidade, entusiasmo, atitudes, pensamentos, maneira de estar, de fazer, de se esquecer, cheguei à conclusão que o nosso herói eterno, era Peixes!
Sim! Peixes!! Peixinhos, Peixões, neste caso era uma cavala! Com um tubarão e um peixe palhaço por dentro!!
Porque? pelos simples facto de que todas as suas atitudes, maneiras de pensar, etc, são características de Peixes! As pessoas diziam e ele lá iaa, voando para executar a tarefa do dia! Era Peixes! Esquecia-se das coisas desta maneira!? Era Peixes!!! E até esqueceu-se que conseguia andar e meteu-se numa cadeira de rodas!?!?!? É PEIXES!!!!!

Matou a tua curiosidade?
Não?
Agora pensas na razão porque leste este texto?
Foi uma perda de tempo, não foi?
Deixa-lá, durante o tempo que estiveste a ler, alguém esqueceu-se que existias para te vir chatear.
:P

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Serei tudo o que imaginam!


    '''
Percebe-se, no meio de um português meio incorrecto, e sem sombras de dúvidas que, não há nada como protestar o descontentamento tenebroso guardado por nós e oferecido por eles.

''''




Há sempre uma forma ou outra de demonstrar o que sentimos, e o que mais nos toca.
Seja por palavras, gestos, ou até desenhos, algo que consiga transmitir algo de dentro, cá para fora, para que o  mundo que nos rodeia possa contemplar, criticar...

Seja como for, temos registado nas nossas mentes todas as palavras, gestos e desenhos criados por eles.
Apertos de mão, beliscões, calduços, sorrisos, gargalhadas, pontapés nas pedras, berlindes a alta velocidade, livros grossos, palavras de excruciante amor, raiva e temor.
Olhares intensos e chapadinhas de desgosto.
Todas as imaginações que criavam sobre nós, dentro de cabeças muito pouco limitadas na imaginação. Criavam detalhes com todo o pormenor...

Lembramos-nos de tudo isso, e muito mais. Contudo, hoje, que temos o caminho que escolhemos a percorrer, olhamos para trás e vemos que não valeu de nada chorarmos, encolhidos, revoltados e calados. Hoje temos o mundo! Hoje temos quem criava ideias mirabulantes, quase impossíveis para a raça humana, nas nossas mãos!
Hoje comandamos o futuro, levantámos âncora quando foi preciso, descemos as velas para recomeçar, e endireitámos o leme em direcção ao sucesso.
Porque hoje somos tudo aquilo que criaram de nós, e muito mais.
Hoje somos as vossas figuras heróicas que tanto gostavam de ser quando eram crianças, e que agora, olham para trás e têm vergonha do que fizeram, e rebaixam-se às pessoas que gozaram e maltrataram nas vossas alturas de reinado, por uma oportunidade.

Agora que reinamos, não seremos iguais de calibre, mas sim ainda mais furtivos.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Homem!? Não me digas...

O que há para dizer?


Os homens são assim.
Eis um texto dedicado às mulheres que tanto dizem sim, como dizem não, à estupidez absoluta do homem.
Nós somos mesmo assim, somos desrespeitosos, somos porcos, temos alguma falta de charme, e nem todos temos mistérios para embelezar um primeiro encontro.
Mesmo que tenhamos passado uns dias, esse factor atractivo vai-se como se nunca tivesse existido.

Somos nojentos na melhor forma de o ser.

E às vezes até temos algumas bolas no sitio para poder vislumbrar (a clássica) o "Boing 747" que está ao nosso lado. Entitulamos de namoradas, amigas coloridas, (a nova) maninhas, e tudo mais, onde o ponto fulcral da situação é simplesmente o homem ter alguem para jogar a frustração de 5 minutos e elas, que não tem culpa nenhuma, sentirem-se usadas para uma fugidinha.

Não tem cabimento.

Um homem é capaz de ser tão baixo ao ponto de sentir-se bem com tudo.
Isto é, sentir-se bem com o facto de conseguir manter uma relação por mais de 2 semanas, só para o tal "coiso e tal", que no fim, não vai dar em nada porque simplesmente o homem usa e ninguém dá por isso.
Usa e "des-usa" tão bem que só mete nojo.
O que é certo é que nós podemos ser porcos, nojentos, desrespeitadores, parvos, autênticos azelhas, sem charme, e sem escrupulos, pulhas.

(Agora a salvação)

Contudo, existem excepções, e são essas excepções que marcam a diferença.
E a diferença começa no desejar um Bom Dia a quem realmente merece. Tudo o que há de bom, vem a seguir.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Há mais além!

<< Texto contextualizado sem poesia e sem ficção. >>


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Que não haja dúvida!
Existem possibilidades para tudo.
Há 3 anos atrás comecei este Blog como um rapaz novo, com uma única ambição na vida:

Escrever aquilo que não queria que se visse.

Hoje, sou um homem diferente, com ideias diferentes, e posso afirmar que a minha vida deu uma volta e tornou-se na melhor fase que já tive.
Para surpresa de muitos, e desgosto de outros, eu casei em Outubro com a mulher dos meus sonhos.
Com a mulher que já foi aqui descrita, num texto informal, que falava sobre uma noite em 1884, muito antes de a conhecer.
Foi numa altura que sonhava constantemente com uma mulher de cabelos escuros, sensual e com lábios carnudos e pele muito branca com a Branca-de-Neve.

Entretanto, saí de casa dos meus pais em Março de 2012, para enfrentar novas marés; como um marinheiro de água salgada se faz, eu me fiz.
Tornei-me chato e ambicioso. Tornei-me trabalhador e batalhador e com ajuda dos meus melhores amigos, a vida tornou-se menos pesada. Tenho um milagre da vida emprestado para sempre.
Uma filha lindíssima, cujo os cabelos rondam o loiro e o castanho super claro. olhos verdes e pele como à mãe; branca como a neve.

Passei por muitas experiências... desde noitadas, fumaradas, até viagens e horas extras.
Ainda me sinto ingénuo, mas também sinto que tive o que tinha que ter, à hora certa e a bom tempo.
Passei por bebedeiras, maluquices, e risadas sem parar... passei pelo papel do gajo que pagava rodadas, e passei pelo papel do gajo, em que a rodada foi paga por alguém.
Passei pelo gajo que quando pediam, oferecia o cigarro, e já passei pelo gajo que pedia que me dessem um cigarro.
Já fui o gajo que tinha uma boa musculatura e já fui o gajo que chegou aos 84 quilos de massa gordurosa.
 Já fui ao Algarve de transportes públicos, mais especificamente auto-carros e comboios.
Já fui até Lisboa de transportes públicos mais especificamente auto-carros e comboios.


Enfim, já ouvi muita música diferente. Já dancei muita música diferente.
Já dancei funáná, kizomba, zouk, tarraxa, dance, house, afro-house, techno, dubstep, etc.
Sempre mas sempre tive uma aversão a estes estilos, mas no que toca a fazê-lo com a mulher que amo, nem que fosse para dançar o La Bamba, dançava com ela até depois da música acabar.



Consegui continuar no meu trabalho. Embora ter sido recolocado num trabalho diferente. Mas basicamente ganho o que o meu trabalho me proporciona.

Também consegui um carro. Finalmente!

Sim, um carro... um veículo de transporte para mim e para os meus. Já fizemos uma grande viagem com ele. Chama-se Calimero. Embora ser Azul, achámos uma boa alcunha para este carrinho de família.

A minha família agora habita numa casa boa.
Uma casa com 4 assoalhadas. Cozinha ligada a sala-de-estar com um LCD de 30" ou mais, não sei bem. Quartos bem equipados.


Agora sim, posso dizer que estou a viver um sonho... E só espero estar a dar valor às coisas que tenho agora, para que no futuro não me arrependa. Daí eu querer fazer tudo, querer tocar em tudo, querer dizer tudo... só para que não haja algo por fazer quando tenho tudo o que sempre quis.

Tenho Mulher e Filha, Casa, Trabalho, Comida, Carro e uma televisão com MEO.

Não me posso queixar.

(Mais tarde terei a hombridade de escrever um texto-memória, para todos vós, a explicar como conheci a minha mulher.)

Espero que a vida vos sorria como sorriu para mim, e sim...

Pelos vistos, há mais além do que era possível imaginar...

DjS




quarta-feira, 21 de março de 2012

Ter para querer:

Faz anos.

Ninguém sabe como é, porque no mundo em que vivo, ninguém sou eu, e mais ninguém.
Celebrar uma data, onde realmente aconteceu a única coisa que deu orgulho a alguém, é incontestável, é vista como a forma mais egoísta do ser humano, face ao futuro do novo ser.
Cuidam, tratam, acarinham, para um dia mais tarde poder retribuir com um "Ying Yang" bastante acentuado.
Tudo o que deram de bom, hão-de dar para o mal.
Tudo aquilo que passei, sonhei, criei, e pensei em, foi me extraído.

Faz anos,

Que não me sinto feliz.
Não me sinto capaz de aconselhar, relembrar, trabalhar, amar, brincar, ser talvez a pessoa que sou, sem preconceitos.
Não, não me sinto capaz, não. Simplesmente não estou.
Todo o sonho que tive, me foi cortado por razões incomparáveis. Foi desfeito, amassado, estripado e triturado, sem justificação aparente na altura, jogaram o que restou para o lixo.
Todo o projecto que pensei, não me foi concedido, não foi transmitido para o papel, nem conseguiu nascer.
O jeito para transpor da mente demente, tornou-se nada. Foi-se com o vento, ou algo parecido.

Toda a pessoa que me conseguiu dar esperança, por um dia melhor, desapareceu.
Não quiseram aguentar o fardo que tenho em cima de mim. A cruz, a maldição, aquela benção que nos põe a derivar entre caminhos sábios e misteriosos. A única coisa que me dá, é um ar totalmente sinistro, mas inofensivo. Para que? para que no final, não hajam surpresas, à medida que me vão conhecendo.
É vergonhoso viver assim.

Torno-me a pessoa mais frágil ao cimo da terra, quando vejo, quando assisto, ao avanço, ao progresso de cada pessoa a quem me afeiçoei. Magoa-me imenso, ver algo tão bom, tão puro, e não fazer parte dele.
Não desempenhar um papel fundamental num desenvolvimento, não só cerebral, como também na vida social, e talvez na vida privada.
É a minha agonia, é a minha frustração.
É, sem tirar nem por, aquilo que me dá mais medo.
É ver tudo isso acontecer, e eu... no mesmo cadeirão de couro, onde me encontro cada vez que me perco.
No mesmo sítio, à mesma hora, acompanhado de mim mesmo.
Desabafo comigo mesmo, ao ponto de me perguntar se realmente vale a pena ser como sou, ou se vale a pena forçar caminho pela mata que endurece e fortalece as grades da minha cela.

Eis a questão.
















E sim, é como me sinto, sem tirar nem por.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Sem querer, com amor.

Já fui criança.
Eu era criança.
Eu gostava dessa fase, aliás, quem não gosta.
Era a altura que podíamos sonhar sem limites, dizer aquilo que queríamos sem filtrar a nossa boca.
Saltar, correr, brincar, sem pensar em responsabilidades, ou assuntos por resolver.
Eramos livres. Sem ter que pensar naquilo que nos faz falta. Simplesmente imaginar e concentrar tudo num só assunto; como montar uma peça de lego noutra, como acabar o puzzle, como saber onde pára o meu amigo escondido.
Tempos em que tínhamos quem amamos, sem saber, ao nosso lado, constantemente.
Tempos em que, a imagem de um grupo de pessoas que nos são chegadas, fazia-nos feliz.
A paz reinava  nesses tempos.
Com os anos, vamos crescendo e vamos aprendendo.
Todo o dia é um novo capítulo numa história, que tem sempre o fim que nós quisermos que tenha.

Se alguma vez pudesse ser assim. Na vida, tudo o que quisermos tem que ser com muito custo e com alguma lágrima de sangue.
Hoje, escrevo uma pequena introdução sobre infância e adolescência, porque acabei de passar por essas duas fases.

Todos nós temos o conceito de família, uns duma maneira, outros doutra, mas no fundo, família resume-se a ser um grupo de pessoas que gera mais umas quantas, e com o amor de pai-filho, é fundado em cada coração desse grupo um afecto tão grande pela pessoa gerada.
Tenho poucos exemplos disso.
Mas posso dizer que tenho o meu conceito de família normal.
Em criança via sempre tudo o podia como se nunca de mim se tratasse.
Sempre me imaginei na terceira pessoa, e tudo o que via através dos meus olhos, era um autêntico filme criado ou gravado por alguém.
As pessoas me dizem que tenho um olhar perfurante, ou algo de género. Não sou eu, é o meu corpo a registar cada momento, cada fotograma de cada película registada no meu cérebro, por tempo indeterminado.
Tudo o que vejo e sinto, é algo tão insignificante comparado à imensidão de pessoas que vivem, andam e correm todos os dias, para o trabalho, para o local que estipularam, para o encontro, comer, beber, dormir.
Tudo envolve uma quantidade de energia, e esta energia gasta-se sempre que a usamos ao máximo, como é óbvio.

Perdi um ente querido, ao qual tenho o maior respeito possível, porque sem ele não estaria aqui a escrever este texto.

A caminho de Oeiras, no carro dos meus pais, olhava os céus. Reparava nos aviões, nos pássaros, olhava para os carros que se encostavam ao meu, com fúria de chegar primeiro que os outros à entrada para a ponte.
A ânsia de conseguir passar primeiro que o outro carro era tanta, que notei num acidente que sucedera ao lado do meu carro. Não havia tempo, estávamos atrasados.
Meteram a música tão alta no carro, que precisei de aumentar a música que eu estava a ouvir.
Estava numa onda de Coldplay, através do meu telemóvel, com uns head-phones que comprei mesmo para o uso telefónico.
Abstraindo a minha mente, pela razão à qual eu estava naquele carro a caminho de Oeiras, fazia-me ver através de um diafragma de uma lente, tudo o que se passava à minha volta.
Senti o meu pai a estacionar o carro. Tínhamos chegado.
O primeiro pensamento que tive, foi ajeitar o meu fato. Meter os meus óculos escuros estilo anos 70 e conseguir andar. Um pé à frente do outro.
Saí do carro, e andei. Segui a minha família para o sítio indicado, por uma senhora, amiga de infância do meu pai. Pelo caminho deparei-me com umas escadas, e senti logo de imediato o sangue a escorrer para as pernas, porque sabia que iria precisar de alguma força extra para as subir.
Se estaria pronto para ver o que iria ver a seguir, era o meu dilema da altura. Talvez porque o diafragma da lente estava a passar muito realismo para o lado de cá.
Cumprimentei algumas pessoas que eu conheço, as quais me foram apresentadas pelos meus avós nalgumas festas da família. Outras cumprimentei por simplesmente mera educação. Estas escadas foram dar a um pátio.
Pátio este que me levava a uma porta das traseiras do Centro de Oeiras. Assisti no caminho, várias pessoas a chorar, lágrima trás de lágrima sem cessar, outras impávido e serenas.
Havia um misto, um misto de sentimentos, cuja a direcção era para a felicidade pela visita de uma família gerada daquela família que não se via há tanto tempo. Pessoas que eu via quando era pequeno, revias ali, ao lado do resto da minha família. Cumprimentei todos os que me foram possíveis, não queria parecer a pessoa que não sou, uma imagem falsa de um mal criado, não era essa a minha ideia.
Fui andando devagar, e avistei uma carrinha comprida. A carrinha longa de vidros esfumados, ligeiramente velha, com uma pintura cinzenta escura metalizada, com uma parte traseira bastante alongada. Notei logo que seria o transporte para a pessoa que morrera.
Entrei pelas portas a que me levaram, e sem me aperceber, estava no meio de uma roda de pessoas à entrada de uma sala. As minhas primas directas, reparam que tinha chegado, e vieram ter comigo. Disseram-me que o caixão estava aberto, só para não me assustar ou ficar sentido quando o visse.
Eu cumprimentei-as de volta, e respondi-lhes com um OK baixinho, porque a minha voz falhara. Talvez porque passei 2h de caminho sem falar, mais umas 3 horas de puro silêncio. Fiquei contente de as ver, já não estava com elas há mesmo muito tempo.
Forcei a entrada, e reparei num senhor que se chegou à minha frente, nos seus 50-60 anos, meio magrinho, de óculos com hastes muito fininhas e olhos um pouco encovados, olhou para mim e sorriu. Eu sorri de volta, embora eu raramente o vi na minha vida, lembrei-me logo dele, por ser o meu primo Arménio. Senti alguma compaixão por ele. Abracei-o e disse-lhe que estava contente por o ver ali. Ele disse-me em resposta que estava grande e alto, e com razão acrescentou: "Todos nós temos que crescer um dia não é?". Acenei e segui em frente.
Passei por uma massa de gente quase fundida para chegar à minha querida avó.
Ela, que por mais tempo que passasse, sempre me agarrou as bochechas e me disse: "Oi meu netinho!!"
Sempre me derreti nos braços da minha avó. Adorei os seus cozinhados, os doces, os bolos, as refeições, os leites morninhos que ela faz cada vez que chego à noite para fazer-lhe uma visita.
Parou de se esmerar na cozinha quando ficou sem paciência para tal coisa. Ano e ano após ano, sempre a cozinhar por gosto, e por necessidade junta, acaba sempre por cansar.

Vi o meu tio ao lado da minha avó, a minha 2ª tia ao seu lado, e na imagem que gravava, o meu pai saiu disparado da minha retaguarda e enterrou-se ao pé da minha avó.
O meu pai não conseguiu alcançá-la, porque nem dei conta que a minha mãe e a minha irmã já lá estavam a segurar a minha avó e a dar-lhe os sentimentos de cada uma.
Quando chegou a vez do meu pai, o padre separou-nos a todos dizendo que a missa ia começar.
Maçarro do Padre!
De certo que, depois de ver esta cena toda, os meus olhos chocaram com o inevitável.
O meu avô estava dentro do caixão, a dormir.
A razão pela qual não consegui chorar, era porque os meus olhos não paravam de olhar para o peito dele e ainda consegui ver o movimento característico da respiração.
Passaram tantas ideias pela minha cabeça. Parar a missa, chamar a atenção a toda a gente que ele tinha respirado.
Mas ele estava coberto com um pano rendilhado branco, braços cruzados ao meio, e por qualquer razão, não conseguia ver a ponta dos sapatos dele.
De qualquer das maneiras, não havia dúvidas disto, ele tinha morrido no dia anterior, 11/02/2012 à hora de almoço.
O ultimo momento da vida dele, foi a prova de que o amor existe.
Quando finalmente, a missa acabou eu fui ter com a minha avó. Ela agarrou-se a mim a chorar, e me disse baixinho a soluçar: "Hoje perdi o homem que eu amei".

Estavam todos a almoçar, e a minha avó apercebe-se de que o meu avô a chamara. Ela corre  para o quarto, e repara nas máquinas e aparelhos especializados para garantir conforto ao seu homem. Olha para o meu avô , e este com um coração bondoso, que tinha, levantou os braços para a minha avó, e ela o abraça envolvendo-o num todo.
Afastando-se dele, reparou que ele estava a revirar os olhos, e exclamou pelo meu tio.
O meu tio correu e aconchegou o meu avô, e com algumas chapadinhas secas na cara, o meu avô voltou a abrir os olhos e perguntou: "Por onde tens andado?" E o meu tio: "Estou aqui, pai, ao lado da mãe."
-"Ainda bem." Fechando os olhos, descansado pela sua mulher não ficar sozinha, partiu.

Tentem-me convencer que amor não existe.
Tentem quebrar o que presenciei naquele dia, a história, o acontecimento, as lembranças e memórias, de convívios e festas, e de sorrisos e lágrimas.

Sinto a explosão da perda.
Garanto que não vou voltar a duvidar que o amor existe.
Porque se existiu à 70 anos atrás, e se eu próprio sou prova disso, então hoje também existe.

Avô, nunca te esqueças que foste a minha inspiração para muito momento meu.
Desde aquela conversa que tivemos no teu escritório, até à nossa despedida, sempre soube que irias causar impacto na tua partida. Foste o homem que conseguiu gerir uma família enorme, e criaste dois filhos fantásticos, dos quais tiveste 3 netas e 1 neto. Orgulho da família que fundaste, acredito que tinhas, mas amor... amor aposto tudo o que tenho, que nunca vi tal amor como o amor que tiveste com a avó.
Adorava ter vivido no teu tempo.
Adorava ter vivido ao teu lado, mais tempo.
Adorava ter vivido o que nunca vivi...

Descansa em paz.