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À noite... Quem me diz que à noite, não acontecem coisas mágicas, inexplicáveis, acontecimentos que nos marcam para a vida, com recordações de euforia pelo conhecer e saber de algo ainda por descobrir?
Eu digo o contrário.
Prefiro mil vezes a noite ao dia. Só, pela questão da viagem mental que fiz, a uma das cidades mais encantadoras de sempre. Londres.
Não consigo me lembrar de tudo, mas em segundos, derivado de uma conversação extensa sobre England, e lugares magníficos que este país nutre por si só, fiquei abismado por tanto romance ali espalhado.
Cada rua, cada carro em sentido contrário, cada cabine telefónica, cada PUB, cada janela, cada parede, dizia uma história, linda de ser contada!
Era magnifico, estar rodeado de gente pacata, envolvida num enredo sem fim, de histórias de vida intermináveis, ou não.
Vidas que, dalguma forma, por mais estranho que pareça, eu gostava de ter feito parte.
Via os candeeiros da rua muito fracos, praças enormes, rotundas gigantescas, tráfegos incandescentes de luzes vermelhas dos travões dos carros, paredes com nomes de alguém, escrito por alguém que amava sem limites.
Refúgios onde a bebida preferida é a famosa "Large", e quem é homem, tem que a beber. Caso contrário, terá um grupinho do PUB, a olhar intensamente, com fogo nos olhos, prontos para queimar pessoal bicha.
Ruas largas para uma teia imensa de vidas embrulhadas numa das outras sem se tocarem.
Tanta gente, e ao mesmo tempo, tão pouca gente. Só pelo facto de ser uma cidade com tantas pessoas, mas praticamente, não haver ligação com 90% de pessoas residentes, é tão estranho.
A minha mente ainda está limitada a coisas pequenas, onde todas as pessoas se cruzam diariamente, e já se cumprimentam, só por andar na mesma rua, à mesma hora. No fim, acaba-se por conhecer a família, parentes, trabalhos e empregos, salários, e começa a "cuscUvelhice", e etc...
No entanto, esta cidade não parava de me surpreender, pontes lindas em jardins municipais, palácios enormes de famílias reais, o amor que saía de cada olho do ser humano inglês pela pátria, sentia-se à distância.
Lugares tão românticos, como nos magníficos filmes de Hollywood...
Cheguei a sentar-me num sítio, que não sei se é real ou não, mas que eu lá estava, estava.
Um pequeno rectângulo de pura relvinha verde, com uma árvore linda de folha roxa, penso que seria uma "Prunus Serrulata", embora estas árvores, normalmente terem folha rosa esbranquiçada, nesta árvore que tinha à minha frente, eram roxas. Talvez por ser noite...
E um banco de ferro verde cheio de floreados. Eu estava sentado nele, num dos cantos, a admirar a contradição de cores que existia ali à frente. Roxo no verde... Parecia-me mal na minha perspectiva mono-cromática da vida. Sim porque, nesta noite, só vi cor. Os meus olhos não estavam habituados a tanta cor.
Tanta diferença numa só noite, fez com que me despertasse ainda mais curiosidade por aquilo que vi, que não vi.
Fiquei com uma sensação estranha ao viajar tanto.
Ansiedade por conhecer essa bela terra...


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