terça-feira, 6 de dezembro de 2011

A filtragem!





Sem dúvida, que nestes dias, de um início efémero de vida, existe um ligeiro problema de compreensão.
Problema agora, solução depois. É a partir deste reconhecimento que temos, no início da casa dos "20", que chegamos a tantas conclusões. Querendo mudar de estilo de introdução, ou integração mental, a partir de um ecrã de 15", sem licença ou permissão, ou vice-versa, é o meu objectivo de agora.

A questão, desenrola-se em busca de uma ponta solta para se poder pegar, e conseguir chegar mais depressa ao fim da meada. Pondo preconceitos de lado, e "palmadinhas" nas costas, de parte, posso garantir que existe, de facto, uma enorme massa, gigantesca, tão grande, que mesmo hiperbolizando este tema, nem chega para conseguir quantificar, esta percentagem de "problemas".
Sempre se soube isto, mas como nesta casa dos "20", chegamos a tantas conclusões, esta é mais uma.
A hipocrisia, o "enrolar" uma história "mira-bulante", pior que um filme de Steven Spielberg, e o descontentamento que causa, no foro psicológico pessoal, de uma mera mente, simples e intacta, causa tanto impacto, quanto um palhaço estripador. E eu dou-me bem com palhaços...

Numa onda de tentar, equilibrar esta balança, com esta massa enorme de um lado, e 4 pessoas no outro, lá vem outro facto, a juntar, ou a agrupar a este conjunto de descobertas para um novo mundo!

O facto de que, muita gente, para além de ser hipócrita, mente! Com tantos dentes, quanto os que tem na boca. E disto, não há salvação. Podemos é salvar-nos; nós, sermos os nossos próprios heróis, e negar a ouvir, ou simplesmente presenciar, uma situação destas. A descoberta para tal mundo, cheio de sorrisos, palavras, gestos, e oportunidades aliciantes, que na realidade não passam de uma "caixa" Chinesa vendida aos Americanos, e renegociada com os Espanhóis, é um autêntico delírio fatal. E eu faço parte deste esquema...

No entanto, falam, falam, falam, falam, falam e falam, com uma mente tão vazia, quanto um frigorífico na loja de electrodomésticos novos, ainda  por vender. Alguns ainda tem os cadernos e manuais, plastificados. Torna-os mais resistentes a verdades, para conseguirem viver no seu mundo débil.

No Wikipedia, podemos confirmar que:
"Apesar do fato das fêmeas efetuarem a maior parte da caça, os machos são igualmente capazes. Dois fatores os impedem de caçar tantas vezes quanto as fêmeas: o principal é o seu tamanho, que os tornam muito fortes, porém menos ágeis e maiores gastadores de energia; outro fator, de menor relevância, é sua juba, que sobreaquece os seus corpos, deixando-os mais rapidamente exaustos.

As fêmeas são sociais e caçam de forma cooperativa, enquanto os machos são solitários e gastam boa parte de sua energia patrulhando um extenso território. É sabido, porém, que tanto machos como fêmeas passam de 16 a 20 horasdiárias em repouso, num regime de economia de energias, uma vez que seu índice de sucesso em caças é de apenas 30%." -Retirado de http://pt.wikipedia.org/wiki/Le%C3%A3o s/ correcção -



Sim, são elas que vão a caça, e ainda tem que arranjar tempo para cuidar dos seus niños!
 Porque, basicamente o Leão, não faz nada. Simplesmente, atormenta quem tenta a pacificidade da sua própria tropa. Se temos este exemplo, numa natureza, um pouco ou nada racional, é óbvio que temos algo parecido no nosso meio. É rara a vez que, haja alguém que possa cuidar de si mesmo, ou de quem esteja, à sua volta. Mas, sei que há caminhos feitos para encontrar essas pessoas, pelo simples facto, de se destacarem do resto.
Se cria o seu passado, forja o presente, e mente em relação ao futuro, como pode ter o discernimento de dizer algo que seja verdade? As palavras não são a massa com que fazem bolachas que comemos todos os dias.
Onde no pacote, vemos escrito:
Contém vestígios de...
Dude! Uma máquina não é perfeita, nunca será, desde que envolva uma mente humana no seu projecto.


Pessoas que não saibam onde fica o sul, ou norte, por favor, fechem as matracas.
Aprendam primeiro, como todos os outros, para depois conseguirem ter alguma moral para falar.
Sem dúvida, que nestes dias, de um início efémero de vida, existe um ligeiro problema de compreensão.
Problema agora, solução depois. É a partir deste reconhecimento que temos, no início da casa dos "20", que chegamos a tantas conclusões.
Cheguei a esta...
E agora?

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Somos assim.

Somos feitos do quê?

Somos feitos da mesma massa que o resto?

Talvez....

Será?

Somos diferentes, vimos o mundo de maneira diferente. Simples. Como ele é. Com uma mente aberta, compreensiva e realista.
Se nos dizem que o copo se partiu pelo choque de diferença de temperatura, no entanto, justificam algo com ideais sobrenaturais, nós justificamos que foi mesmo a diferença de temperatura.
E porque não?
Há coisas inexplicáveis, no entanto há sempre aquela dúvida que fica.
Se a porta fechou-se, sem corrente de ar, e sem pessoas em casa, a não ser a única testemunha, nós justificamos isso com o movimento das placas tectónicas, e uma porta mal feita ou desnivelada, é forçada a abrir ou fechar caso haja uma milésima de movimento. No entanto, foi algum espirito que passou....

Não! Por favor... O que se passa contigo? Estás a dar um bolo de chocolate a uma criança de 1 ano!! O que é que tens na cabeça!?
Contudo, a pessoa que reclama por algo inofensivo, forçava uma criança de 2 anos, a ingerir um iogurte com mais químicos que o próprio bolo. Moral da história? Há coisas em que as pessoas entram em contradição sem saberem. Queixam-se de algo correr mal, mas esquecem-se das suas atitudes anteriores. As quais têm sempre consequências, num futuro próximo!
Nem imaginam...
O quanto me custa ouvir dizer que nós somos pessoas.
"Quanto mais conheço as pessoas, mais gosto de animais."
Reflectindo sobre esta célebre frase, retiro uma ou duas coisas...
Primeira, isto é a maior barbaridade alguma vez dita, vendo que somos animais. Animais racionais, escolhidos para proclamar algo maior que nós próprios...
Segunda, pior ainda é publicar esta frase de maneira efémera, com a intenção de mostrar que a sabedoria é transbordada na sua mente. Quando acontece precisamente o contrário...
Terceiro, e por fim o ultimo, vejo pessoas a apreciarem a frase, e a concordância aparece do nada.
Concordar com algo tão "fora do esquema", é a maior das anormalidades... Pessoas São pessoas.
Pessoas têm sentimentos, pensamos e racionalizamos, como ninguém. Imaginámos e criámos. Construímos e destruímos. Demos vida, e matámos. Escrevemos, e lê-mos!
Digam-me um animal que conseguiu isto...

O Homem.
Somos assim.

Não há volta a dar... Só estamos bem quando não estamos.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Separados da Cria.







Não sois iguais aos outros. Sois único com a particularidade de serdes magnânimo.
Tal imagem nunca se revelou perante a minha graciosa mente.
Esperava, pela mão do destino, que algo se mostrasse com defeito de início. Mas não.
Os deuses não foram desgraçados. Não foi um nascimento funeste para esta criança.
No meio da atrocidade, de pragas e pestes, servistes bem os teus ascendentes.
Teria que ser vós, filho da Casa Real de Lagutropeduos. Descendente dos Condes da Casa de Pinhel, nasceste para reinar na condição de serdes a esperança no dia mais negro.
Certamente, virá a minha hora, mas antes terei que contar o que me disseste.
Não há melhor história para contar que esta.
Relatar a tua queda...
Não viverei para sempre, e nos tempos que correm, tudo se aflige por nada, e tudo me aflige por ser tudo o que é. Não vivi para estar nesta época, e vós sabeis bem que estas palavras que saem da minha boca, são a mais pura da verdade.

Nascestes no berço real. Destes fama à tua imponente família. Deste alegria ao teu povo.
Crescestes sempre com aproveitamento em tudo. Foste o primeiro em tudo. E ainda hoje o sois...
Eras a criança que tornava tudo especial. Eras o toque de veludo no coração do povo.
A tua voz tornou-se respeitadora, e os teus desejos e comandos eram ouvidos atenciosamente.
Eras tratado como Rei, que o és. E com todas a letras deste latim modificado, Tu eras único.

Onde deixaste a carcaça que levaste?
Partiste para a tua primeira batalha e nunca mais voltaste.
Hoje, vejo-te completamente fora de controlo. Numa onda de dimensões drasticamente repulsivas.
Não consigo encontrar nada do que restou de ti, nesta nova carcaça tua.
Onde deixaste o orgulho que levaste?
Todos confiavam em ti, todos! E disso nem penses em duvidar.
O brilho nos olhos que uma criança tinha quando te via. A paz que corria nos corações dos mais velhos ao ver-te a demonstrar a nova armadura na praça.
Onde despedaçaste o coração de quem te amava?
Partiste sem dizer um adeus.
Partiste sem dizer o que sentias, e no entanto continuo a tua espera.
Achas que valia a pena seres essa criança que regozijava corações por fora, e seres o monstro que foste por dentro?
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Não tomei consciência dos actos que cometi.
Nem sei para onde me virei. Fui separado pela mão do destino dos que mais amava.
Hoje escrevo nesta folha, que não penso em mais nada, senão, o que irei fazer com esta liberdade nas minhas mãos. Irei ver o mar?
Irei cavalgar pelos vales do meu novo reino?
Sentar-me no descampado do castelo mais próximo? Existem uma panóplia de soluções para este dilema de agora.
Sinto-me bem assim. Rédeas soltas finalmente!
Não quero me perder neste banho que tomo, sem preconceito, de pura adrenalina e vontade própria.
O sangue é bombeado fortemente nas minhas veias. Eu sinto-o!
Agora, sei que nunca mais vou olhar para trás. Tenho que seguir em frente, construir o que não foi construído e dar parte da minha alma ao demorado trabalho do firmamento da minha vida.
As novas raízes que brotarão por gosto.
Alcançar o coração desta nova gente, sem ter que mostrar o meu passado.
Sei que foi bom, mas quanto mais esperavam de mim, mais me sentia preso.
Quebrei as correntes que me ligavam a tudo mais. Hoje sou homem, e não a criança que outrora louvava ao povo por ser meu. Serei o suficiente para esta nova gente? Este novo reino à primeira vista parece-me sombrio mas cauteloso. Terei que trabalhar a alma do povo e reinar como nunca antes.
Sim! Serei bom para este povo. Sempre o fui, e agora serei melhor ainda.

Mas esta ansiedade que sinto, não é a mesma adrenalina que nutria, que vinha de dentro quando nos preparava-mos para a batalha. Ou simplesmente, pegar num cavalo e correr o mais rapido possivel com ele e alcançar o fim do mundo.

Esta ansiedade mata-me! Desejo e invejo. Desejo partir pescoços, romper lagrimas da alma mais dócil.
Quebrar cervicais e revirar os femures para dois sentidos opostos.
Invejo aquilo que quero ter e não tenho forma de a conseguir!
Amo o meu novo povo, espero que ele me ame também. Serão eles quem me vão servir, para um Reino melhor!
Será o Reino que causará inveja aos deuses. Serei melhor que eles, e com a minha humildade e honestidade, venceremos cada nação; manteremos as tradições e modificaremos as suas crenças!
Serei grande em muitas terras...terei prazer em dizer que...
Eu venci o que ninguém venceu!

ahahahahahahahahaahah


Espero ver as pessoas que deixei, em breve.... aqui.... comigo.




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O 2º em Comando na batalha, corre com todas as suas forças para a sala do trono do Rei.
Armadura ensanguentada, espada rachada na sua bainha. Barba de 5 semanas por fazer, e pelo cheiro a sangue quente, teria deixado o cavalo próximo da entrada da sala do Rei.
Dirige-se ao Rei com reverência, prostrando-se no chão, e fitando o canto do azulejo mais próximo do seu joelho, afirma:
-Meu Rei! Permissão para falar..
O Rei, levantando-se da sua poltrona com ar indignado, ajusta os dedos da mão direita em sinal afirmativo ao pedido deste comandante. Disse o Rei:
-Fala, o que trazes para mim? - Falando como se tratasse de algo sem importância.
-Meu Rei... O nosso Príncipe... - Tentando recuperar o fôlego, entre lágrimas e respiração ofegante.
-Que tem o meu filho? - abrindo os olhos, regulando-os em direcção à janela mais larga da sala, situada no seu lado esquerdo- Fala!
-O nosso Príncipe, meu Rei, terá caído no vazio durante a batalha... - dizia o 2º comandante, jorrando lágrimas sem cessar.
Sem mais por dizer, o Rei mandou o 2º comandante retirar-se, dirigindo-se para câmara da sua Rainha.
O Rei anunciou à sua rainha, o que haveria acontecido.
Esta por sua vez, com toda a calma e serenidade que uma Rainha consegue ter, sem desviar os olhos do rei dos seus, lhe disse:
-Fomos separados da nossa cria.

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Tu morreste na batalha de São Corpeiro.
A tua necessidade de governar algo maior do que pudias, era imensa e incontrolável.
Disseste-me que irias me contar como seria.
Tu prometeste que me contavas como era o outro lado.
Vi que falaste palavras sem fundamento.
Já antes da batalha ansiavas por essa oportunidade.
E pelos vistos, os deuses te a concederam.
Espero que no outro lado, encontres o que sonhas por ter.
Enquanto, neste lado, Sofremos e choramos pela tua ausência.

Agora, neste quarto frio e escuro, sei que não será por falta de aviso, que terei uma noite por dormir...
No meio de tanta ovação pela serenidade que se avizinha, não cesso de olhar para uma pequena sombra que se acomoda ao cortinado estendido ao lado da minha janela.
Certifico-me que é fruto da minha imaginação, ou simplesmente, deixarei repousar o meu corpo e esperar que desapareça?
A Sombra mexeu-se! Relato isto como os fantásticos comentadores dos jogos de corrida de cavalos! Os meu poros começaram a verter suor frio e seco! Estou imóvel na minha cama, enquanto as minhas mãos agarram esta folha e escrevem com uma simples caneta de pena comprada na esquina da praça.
........Silêncio venceu.

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Um murmúrio meu voou da minha boca, orientado da janela para os ouvidos da minha amada:
-"Não é assim tão mau..."- disse com voz calma e rouca.

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Um arrepio me assombrou. Deixei de escrever.

------------------------------------------The End--------------------------------------


av7x rulzzzzzzzzzz!

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Entre estradas.





Sei o que é, estar no meio do nada... Com muitas saídas ao mesmo tempo, e nenhuma fechada.
Escaqueiradas sem vergonha, prontas para serem tomadas. Com destinos que ninguém sonha, e ainda com surpresas agarradas.

A luta constante no dia-a-dia, de batalhas interiores. Sem elas não sei o que fazia, nasci para as travar sem dores.
Ao que parece, somos todos assim. Mas até certo ponto, só, enfim.
Nem sei o que estou a fazer, parece horrendo. No entanto continuo com a vontade de escrever, eu não entendo.
Sinto-me perdido, sem orientação. Apenas com um caminho a tomar, agora só falta coração.
Sinto-me no meio de um cruzamento. Cheio de ruas e ruelas, onde só há um sentimento, e não é por culpa delas.
São ideias infinitas, onde só há uma a ser escolhida. Existe apenas uma barreira, e foi nessa mesmo, que foi construída.
No meio de estradas, com uma por tomar. Só com uma barreira, e é essa mesmo que vou ter que Quebrar.

Sou um sortudo, com sorte de cão...
Tenho um desejo, e tenho.
Tenho direitos, e não mos dão.
Tenho o que quero, e não o que mereço.

Juventude, juventude... Abraça-me.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Conheces-me

Sei la eu, de madrugada ou de noite.
Verão ou  Inverno.
Há tendência de puxar pelo surreal. Algo fora da normalidade, que quando encalha com factos verídicos torna-se pura emoção, e acontece.
Acontecimentos têm datas. Porque acontecimentos, por mais que insignificantes que sejam, são eventos que ocorrem sempre nalgum dia, numa hora incerta, como é óbvio.
Mas existem acontecimentos que marcam independentemente da hora e do dia.
Cravam as suas garras nas nossas almas e fogem para não serem caçados.
No entanto, são relembrados, com dor ou sem dor. Com alegria ou sem ela.
Basta conceber uma ideia politicamente correcta, expô-la em praça publica, torná-la algo que não era.
Só para haver opiniões diferentes, o famoso "não saber ouvir", (discussão), e debates, (troca de factos).

Basicamente só me resta ser politico porque discussões e debates, já eu crio.
Basta-me só começar a perceber que podia fazer mais do que posso fazer, e torno-me livre.

Livre de uma opressão reconstruida indevidamente de um manual de instruções!?
Talvez, só livre de uma tirania, facetada entre violência e espancamentos cerebrais.

---"Nasceste para sofrer, carapaça uahahahahahaha"---

Até podia ter nascido para isso, mas prefiro pensar que nasci para me tornar melhor pessoa, que muita gente que anda por este mundo fora.
E se isto não for verdade, então que se cumpra a maldita frase.

Melhor que ninguém, há seres com um certo tipo de grau parentesco, que conseguem afirmar de boca cheia: "eu conheço-te!".
Eu pergunto, conheces-me?

Não sei... Não sei...

Esperemos que sim, ou não.

sábado, 23 de julho de 2011

Perdendo o Presente.



Clique no play para uma melhor intepretação do texto. Obrigado e boa leitura. ;)



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Era bom.
Eram tempos diferentes.
Eram de longe, os preferidos de quem os viveu, assim como de quem morreu nele.
Quem viveu, viveu bem. Quem morreu, morreu em paz.

Eu vivi. Vivi bem, e espero morrer em paz.
Mas quando vivi, envolvi-me com quem me era mais querido. Isso bastou-me para saber, que ter a certeza, é a maior dúvida de sempre.
Como se tem a certeza do que se sente, quando a própria frase, é uma pergunta?
Logo aqui, há dúvida.

Eu consegui o impensável. O impossível, de não ter dúvida alguma que por mais fora do normal tivesse sido, fui esclarecido.
Foste tu, no dia 21 de Agosto de 1884...




Estava escuro, era de noite. Num quarto imenso de uma casa na costa vicentina, o silêncio era rei. Rulava sobre a escuridão, em conjunto com o arrepio na espinha, pelo tocar no chão frio de tijoleira.
Da penumbra neste quarto de escuridão impetuosa, relevos de um corpo que jazia na cama larga de lençóis claros, se mostravam.
A presença humana, que se revelava ao luz da lua, vinda da janela, pertencia a Rose.

Como uma sombra segue o corpo a que pertence, eu segui a sombra do corpo que jazia indiferente na sua cama. Infiltrei-me no seu quarto, sem atrair atenções indesejadas.

Reparei que respirava lentamente. Só queria ouvir aquele respirar. O som do próximo movimento que poderia fazer. O som do osso forte e novo na rótula da cartilagem, juntos com a música da flexão dos diversos muscúlos envolvidos no seu movimento.
Bastava-me saber que estava viva. Mas era demasiado pesado, o fardo de não ter a certeza.

Quis remover o fio de cabelo da sua face que, por mais atraente que lhe fizesse parecer, teria que o por no seu lugar. Aproximei-me, mas apercebi-me que ela deu conta da minha presença.
Rose sentiu uma brisa fresca, vinda de trás, arrastando tudo o que era leve, pelas suas costas de mulher incrédula. Tentei refugiar-me, não consegui. Afastei-me o mais rápido possível.

Ligou o candeeiro da sua mesa de cabeceira de 3 pernas, torneadas com fios de ouro, e com os seus olhos ansiosos de encontrar algo fora do normal pelo seu quarto, Rose depara-se comigo.
De mulher incrédula que era, acreditou. Por mais inóspito que podia parecer, eu estava lá, perante a sua marcante presença.
Majestosa formada de pleno esplendor, levantou-se. Os seus olhos não saiam da minha trajectória, assim como os meus cruzavam os seus.
Tentei fingir, pensar numa hipótese que justificasse a minha presença ali, balbuciando algo baixinho sem sentido.

Mas Rose não quis saber.

Tinha outros planos, do que somente ouvir um rapaz fora do normal.
Eu quis lhe dizer a verdade. Quis lhe dizer que estava ali para ter a certeza, que esta estaria em segurança, e por fim, desejar-lhe boa noite.

No meio dos meus pensamentos mais profundos, Rose não esperou por uma desculpa esfarrapada, simplesmente limitou-se a executar, aquilo para que foi impulsionada a fazer.
Saltou na minha direcção, sem qualquer respeito pela gravidade, caindo nos meus braços suavemente, como uma pena.
Olhou-me nos olhos, fechou-os e sorriu, aninhando-se como uma cria recém-nascida, entre dois pilares que a sustentariam para sempre se assim ela o desejasse.
Retribuí o olhar carinhoso cuidadosamente; esperei pelo seu sorriso; com os meus lábios juntos à sua orelhinha de perfeitas curvas, sussurei:


-"Durma bem, minha querida."

Levei-a a beira da sua cama larga de lençóis claros. Deitei-a ligeiramente a meio do colchão de penas.
Deitei-me ao lado da imagem surreal que assistia. Observei todo o canto da sua face, esperando pelo raiar do sol, e ver a sua cara de pura felicidade de estar segura mais uma vez. Estar viva. Sentir-se bem.


Foi o momento mais real na vida de alguém que nunca acreditou.

Deste-me a certeza naquela noite.
Que o impossivel é possivel. E o improvável, é provável.

Dorme bem, Rose.


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          Porque agora, acredito.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Abrindo curiosidades

DjS:
--Por favor, para uma melhor interpretação do texto, clicar nos play's espalhados pelo texto. Obrigado e boa leitura.--
DjS.

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Sentado no meu cadeirão de couro, reflectia nas palavras sábias de um grande escritor português, bastante conceituado e galardoado com o respeito dos portugueses, pela sua obra fascinante "Os Maias", Eça de Queiroz. Pela 11ª vez na minha vida, torcia os cantos das páginas, lendo cada palavra insaciavelmente, ansioso de chegar à página seguinte.
Inspiro de necessidade pelo oxigénio circundante, e expiro absorvendo tudo o que lia.
Páro de ler, meto o dedo indicador na página quase devorada, e olho lá para fora. Pelos quadrados, da caixilharia da janela, mantinha uma linha invisível, para o prado verdejante de 4 m2, situado ao lado da minha velha casa.
O meu cadeirão abraçava-me totalmente, enquanto viajava pela minha mente jovem, encurralada num corpo gasto e envelhecido.
Do prado, saltei para um turbilhão de visões. "Flashback's" que me passavam à frente, sem controlo nenhum, sobre o tempo e espaço. O meu corpo descansou, quando a minha mente parou na tua imagem.
Fechei os olhos, contemplando a tua face, de forma inigualável. Os teus olhos amendoados, pretos como a sombra mais escura. Quando o teu corpo reluzia luz, e os teus olhos eram atingidos com raios solares, emanados pelo nosso grandioso Sol, fixavas os teus nos meus, então, aí, eu entrava numa imensidão de paz.
Um fundo escuro, tranquilo e manso, resplendia nesses olhos profundos de águas com rédea solta.
As tuas sobrancelhas delineadas, sem qualquer indícios de controlo humano. Traços finos e graciosos, que te davam, a tua forma mais carinhosa de olhar para mim. Adorava quando me dizias: "Amor, olha para mim... (^^.)".
Eu delirava, quando via a tua face, voltada para mim, a fisgar-me como se fosses aquela rapariga da esplanada. Que faz por tudo para convencer o rapaz da mesa, lá no fundo, que está realmente interessada nele. Que faria de tudo para conhecê-lo. Que concordaria, com a revista de modelos novos no mercado, que dizia: "Nova revelação no mundo dos modelos masculinos."
Que cruza uma vez, a perna por cima da outra, e volta a cruzar com a outra perna, para mostrar os seus dotes femininos, enquanto o rapaz se deliciava com as suas formas perfeitas.
O inevitável iria acontecer, se ela continuasse assim.
Lembro-me bem desta tarde contigo.
Os teus cabelos, castanhos escurecidos, lavados com uma essência francesa da época. Cheiro que me forçava a bradar aos céus por mais, enquanto, me admirava com o brilho e o toque sedoso que forneciam à pele em volta das pontas dos meus dedos curiosos.
Sabia ler cada fio de cabelo teu. Cada um contava uma história nossa, em volta de gargalhadas e choro. Discussões e conversas sem nexo. Não havia melhor que os teus cabelos para me lembrar de tudo o que passámos juntos. Falavam entre as rugas dos meus dedos, que experimentavam a elasticidade e firmeza de cada um, nascido de cada memória nossa.



Eras como o meu anjo negro, que me trazia à vida, através de cada movimento.
Lábios carnudos, rosados com falta de luz. Mas vermelhos com a intensa ajuda do sol.
Concordava com todos, quando diziam: "Tens sorte, por ter alguém como ela. Para além de ser uma diva, tem a personalidade que te completa, em todos os sentidos.", o que eu me alegrava quando ouvia isto da boca dos mais chegados.

Tinha o teu amor, e tu o meu. Éramos o sagrado início de uma perfeita família.
"Eternos namorados", dizias tu com o teu jeito feliz, realizada, de como alguém, que achasse por pura sorte, uma nota de 500€ na calçada. E eu era feliz a ver-te assim.
Contudo, a vida não foi amiga para mim. A bondade dela devia estar a descansar. Pois deu-me tanto. Deu-me o que tinha e o que não tinha. Ela teria que terminar, fechar a torneira de tanta felicidade. E foi trágico quando deu dada por terminada.
Afastou-me de ti quando nasceu o último da nossa descendência. O teu corpo cedeu ao esforço. E em sofrimento partiste. Oh meu deus, o que me arrependo de não te ter ajudado a suportar a dor. A idade não te era favorável, mas eu também não fui. Renego-me a aceitar um perdão, pois a culpa persegue-me, até ao mais escuro dos meus armários.
Sem conseguir mover os meus olh................

Que foi isto? Dei por mim, de volta ao meu corpo velho. Ouvi um barulho. Senti que devia fazê-lo por pura intuição. Então, forcei a perna esquerda a levantar-se ligeiramente, e o cadeirão resmungou com o movimento contrário.
Descobri o que me acordou. Pus uma cara feliz e aliviada..........

Com olhos no passado, fizeram-me lembrar de como ele resmungava quando tu te sentavas nele.
Forçando cada centímetro quadrado da pele, a habituar-se ao teu formoso corpo.
Esboçei um sorriso. Tornei a olhar para o prado. Fechei os olhos.
Desta vez, acordei no dia de graduação do nosso filho mais novo, Sam. Reparei que Levi, o nosso filho mais velho, não estava comigo. Senti uma enorme tristeza a apoderar-se de mim, e concluí o porquê.
A vida não foi bondosa para com ele. Mas, no entanto, estava a ser totalmente o contrário, para o mais novo. Este, que conseguiu graduar-se 2 anos antes de todos os alunos da mesma idade. No momento de cantar o hino nacional, fui por a minha carcaça orgulhosa, ao seu lado. Chorei com mão ao peito, em busca de uma nuvem com um sorriso teu. Pelo orgulho que terias nele. Por ser teu e meu. Por ser fruto da nossa paixão eterna. Um dos nossos filhos que nunca chegaste a conhecer.
Vejo-me a chegar a nossa casa. Branca como a neve, alta, arquitectura colonial, com relva por cortar no jardim da frente. Arbustos entrelaçados na vedação de madeira, pintada de branca, já gasta. Com o acesso meio inclinado, feito por nós com o feitio de um "S", porque dizias que era melhor assim, dava a sensação de ser o nosso castelo, em cima do monte. E isso agradava-me.
Não consegui ficar com ele muito tempo. Ele era jovem. Coração de leão, como Ricardo, e no entanto, numa noite como todas as outras, esta ficou marcada na minha memória.
Numa das suas festas de amigos, conheceu uma rapariga.
Esta rapariga, com quem ele falava muito e gastava do seu tempo de trabalho, para estar com ela, deixava-o feliz com cada olhar dela. Fazia-me lembrar de nós os dois. Deixei-o viver essa sensação, para ver como realmente era, amar alguém. Mas a vida continuava a dar-me das suas melhores cartas pretas. Como se fosse a paga, por ter sido feliz outrora. Numa noite de altas emoções, a rapariga, com as suas manhas femininas, convenceu o seu pai, a dar-lhe as chaves do seu carro. O famoso Rolls Royce, carro de alta gama. Produzido no coração de Inglaterra, em 1905. Um dos primeiros Rolls Royce a pisar as estradas da nossa cidade de Londres era da sua família. A caminho da nossa casa, a rapariga que vinha com o nosso filho, deu por ela completamente desprotegida, distraindo-se da realidade, assusta-se ao cair em si. Dando origem a uma série de toques e berros, que assustaram a condução da máquina. Rolou sobre si, forçando os corpos frágeis a aguentar uma força imensa, como a montanha russa das feiras. Despenharam-se na valeta.
Pelo que me disseram, foi morte instantânea aos dois. Mais uma vez, não tive coragem de proteger o que era meu. O que era nosso. E por isso, os nossos filhos, já devem estar contigo. Se estiverem, espero bem que esperem por mim. A vida não foi boa para comigo, mais uma vez.

Cansei-me. Envelheci. A pele que dantes era rija e saudável, agora está repleta de sinais e bem flácida.
A força foi-se, e os ossos colaram.

Abri os olhos... E vi-te. Fiquei aliviado. Reparei em ti e aos nossos filhos, Sam e Levi. Agora sim. Estou Feliz.

Agora...

Pergunto-me se, o meu cadeirão resmungou desta vez...